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das águas, das flores e seus crescimentos flutuantes

o meu novo laguito

7/12/09 08:36 am - plástico




papel, vidro )

5/27/09 12:11 am - jota


5/20/09 10:23 pm - décima quinta semana. casa da avó II




prateleira de netos


(onde está o wally?)







5/19/09 10:24 pm - avancei esta página, ela é um intervalo


       

Lisboa. Só consigo pensar em:
     
    Puta de relação kármica.

Tenho usado a palavra karma tantas vezes e sem pensar muito no que quer dizer; só me apercebi disso quando ele me perguntou se sabia o que era o karma. Achei que fosse lá o que eu soubesse, ele tinha preparada uma definição melhor que a minha, daí ter respondido "se calhar não".

Ele disse:
 
   "O karma é pesado quando NÃO CONSEGUIMOS DEIXAR DE COMETER OS MESMOS ERROS UMA E OUTRA E OUTRA VEZ"

O que é que te vou fazer DESTA vez, Lisboa?








5/11/09 10:49 pm - superstição





há qualquer coisa que se parte nas coisas frágeis, quando delas se falam antes de crescerem. tenho agora esta teoria de que tudo o que tenho perdido se ficou a dever a já não conseguir manter o silêncio.






4/5/09 03:22 am - às tantas

Aquele seria lembrado como o dia do massacre das formigas. Espalmou-as contra o lenço de papel e a palma da mão furiosa dum lado ao outro do soalho. Pensava em não pensar no karma negativo que iria abater sobre ela. Foi buscar a vassoura irritante cuja cabeça se separava do cabo a qualquer movimento vertical. Varreu-as, vivas e mortas e pretas no caixote do lixo. Pegou na fita adesiva castanha que trouxe do escritório (e também por isso se atormentou um bocadinho), tapou as frestas do rodapé com três camadas.

Era tarde. Era sempre tarde quando conseguia fazer o que tinha a fazer.

4/2/09 11:55 pm - depois do derramamento de tinta

(para a amana, porque falei com ela)



Passámos por tanto e afinal
o tempo foi quase pouco

Empenhei-me em conseguir-te
Ao sentir-me falhar enganei-me

Disseram-me que só de mim
sabiam dizer que tenho força

para tudo
Tem graça,

Não tive força para o teu amor
chamado amizade e tão grande

Viste-me fugir e agora espero
que ainda me queiras ver

a voltar


3/20/09 10:55 pm - ha!



de volta.

12/27/08 12:39 am - Deixa-me explicar o meu problema contigo.

Não me lembro de alguma vez ter sentido necessidade visceral de fugir de alguém. Como de ti.



Mas assim não me faço compreender. Vou tentar doutra maneira.


Eu não sou suficiente. Isso foi óbvio desde o início.

Passou demasiado tempo
no qual vivi com a minha insuficiência
para ti.

Depois deparei-me
contra a tua vontade
com a existência de um mais
do que suficiente aos teus olhos.

Agora sou insuficiente e idiota.
Não, espera. Sendo mais exacta
nunca me senti tão estúpida e sinto-o
como uma estalada a cada vez que penso em ti
e isto
não é o pior.

Deixa-me
explicar.

O pior é que ainda sinto
e penso muito
em ti.

Que imagino que te basto.
Que estou só mas que esta
irrealidade
me faz companhia.
E me faz sentir idiota. Estúpida.

E um pouco menos sozinha, enquanto não penso.





(não te explico nada, não te consigo ver)









12/27/08 12:26 am - Dói-me o vazio

Hoje é natal e aos poucos os primos vão saindo, os de sempre e os recentes, com os pais e os casacos.

A pequenita dá dezenas de voltas à mesa.

Há-de dar outro filme irrelevante.




A espera, a espera como vagas teimosas que recuam só para voltar sete recuos depois, mais atrevidas que nunca.

Cinco moradas diferentes. Muita confiança em desconhecidos. Quatro gatos mais um. Um amigo de um colega que se lembrou do meu nome.

A lágrima sempre a ameaçar fugir.

Não sei o que fazer a todas estas casas que se construíram umas por cima das outras, sem telhado e sobre os meus alicerces expostos a céu aberto.

Não quero precisar de outro ano para saber viver com esta arquitectura.

11/7/08 09:18 pm - só queria dizer





que apesar de muito chorona

sou feliz aqui.

10/27/08 03:05 am - senhor verão

mais )






ainda te sinto

a transformar-me

10/27/08 02:37 am - hoje disseram-me


"és um poço imenso cheio de cenas"
c.
: ) 




10/16/08 08:14 pm - assombro

 

? )? )

 

 

9/12/08 05:43 pm - em braços

eles são loucos e de confiança, altos e sorridentes, cantaram-me os parabéns. deixaram-me uma fotografia festiva e um papelinho verde com dois endereços de e-mail e "one embrace"

ele é circunspecto e solitário, francês e talvez triste, ouviu-me cantar. tem nome de cabaret. durante uma semana passeou os seus olhos verdes e as suas t-shirts desfeitas pela minha casa. deixou-me uma nota de vinte e outra escrita em francês a dizer muitas coisas e "je t'embrasse"

ele cortejou-me em espanhol e beijou-me na minha varanda. falámos de espelhos e de manchas. durante uma noite e um dia fez-me sorrir. cozinhou-me um almoço com sabor a laranja e puxou o banco para me sentar. teve pena de partir, depois de me dar os braços

ele veio sem pedir licença. olhos tão pequenos como os meus são grandes. corpo inteiro e bondoso. instalou-se numa parte de mim que não tem medo. mas ao tocar-me fez-me recear que no fim nada de mim sobrasse. carros davam voltas e voltas na televisão, zumbiam como abelhas, dormi nos seus braços

9/12/08 03:40 pm - golden evidences



 

 

  • two red dry roses. one from my birthday, the other given in appreciation for waking up to open the door for her;
  • some yellow, green and blue post-its with e-mail addresses and phone numbers on;
  • two written embraces. one in french, the other in english, from an italian;
  • a little round golden box that I love to look at and don't know what to put in; 
  • a black dress;
  • one lucky marlboro cigarette;
  • a black bag;
  • a sharp knife;
  • some surreal photos;
  • a long orange string;
  • a long black elastic band;
  • some left over lust in my mouth;
  • food (a special mention to all the different types of pasta)
  • a grey t-shirt with a yellow zero on.







8/17/08 11:19 pm - ' i'm a tree that grows hearts


one for each that you take '


                                                                                 (you who leave and you who stay)









 

8/9/08 12:16 am



falo contigo e enquanto falo contigo escrevo-te

Sinto a tua falta e cheiro os teus vestígios. Dou por mim a sorver o ar da tua camisa. Detesto-te muitas vezes. Enervam-me todas as tuas infantilidades que também me enternecem, e no fundo metem-me nojo as diferenças abissais entre o que professas e o que fazes, para além de me desarmarem.

Quero bater-te quando chegares. Estou doente de não te tocar mesmo quando te abraço. Quero encarar-te em todo o meu tamanho de mulher e de desespero remendado com sorrisos. quero colocar-te em frente às minhas lágrimas sem que tenhas tempo de inventar explicação para não serem líquidas, que possas esboçar um só esgar de cinismo ou de superioridade. Irritas-me. Trepo do meu infinito cansaço. Não, infinito não.

Apenas cavernoso e infeccioso e bexigoso, empurro-o para as minhas cavidades e acho na pele alguma energia, apenas ficam umas erupções a denunciar o vírus.

E espero e fico mantenho-me desperta impossivelmente, até para além da exaustão.

sou injusta contigo e é fácil perceber porquê


"e a rapariga deixou no chão um lamento
que se ergue e gira à roda com o vento
e rodopia e navega e joga à cabra-cega
é de nós todos e a ninguém se entrega"


7/25/08 11:51 pm - living working place

people asking me where they can get a drink, where they can buy food at 5 a.m., how they can get to belém, how they can get to the beach.

people ringing the bell late at night, checking in, checking out.

people entering with supermarket plastic bags, cooking the same dish whoever they are, eating pasta with tomato sauce.

people smoking in the balcony, talking in the living room, waiting in a informal line for a place in front of the computer.

people asking me when do I sleep or if I'm able to do it at all.

people coming from australia, from mexico, from canada, polland, sweden, ireland, serbia, from everywhere.

people on holidays, travelling with their backpacks, spending their days walking around the city.

this has been my home and my workplace these days. maybe I really can't speak english. I certainly can't write in english but I have to use it anyhow, so there's no other language for me to post this particular entry. whenever I'm too tired or just feeling like it I sit among them, hear about their lives and talk about mine. or about anything at all. they'll all leave tomorrow anyway.  

7/25/08 01:36 pm - Primeira semana. Casa da avó


1/4 Julho 08

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